Terça-feira, Setembro 02, 2008

#38

Há dois meses que andava preso a isto:












Acho que ainda estou.

Sábado, Junho 28, 2008

#37

“Jean Renoir’s predilection for running water has often been discussed. But this predilection was common to all the members of the French school (although Renoir gave it a very special dimension). In the French school, it is sometimes the river and its course[…] It is firstly because water is the most perfect environment in which movement can be extracted from the thing moves, or mobility from movement itself.” Deleuze, The Movement-Image, 77.

“But in this negation of cinematographic canons, in this destruction of the shot as the basic unit of screen narrative and of the screen itself as the basic unit of space, there remained an implicit acknowledgment of the “cinema” as a means of expression. Even as a mask, the screen remained a screen. Even in reversing its function Renoir had not destroyed it. The final step remained to be taken. In The River the screen no longer exists; there is nothing but reality. Not pictorial, not theatrical, not anti-expressionist, the screen simply disappears in favour of what it reveals.” Bazin, Jean Renoir, 118.

“The truth is that there is probably no other film which is so completely and precisely controlled by its author. Most of the best films depend to some degree on God, on a lucky or unlucky chance which belongs not to the film maker but to the film, an uncertain and involuntary poetry of the machine. Not a frame of The River gives us this feeling: its images always suggest exactly and only what their creator intended... I cannot imagine what a brilliant painter, novelist, or poet could have added to the kiss Valerie gives to Captain John.” Bazin, Jean Renoir, 117

Sexta-feira, Junho 06, 2008

#36

Ando viciado nisto:

Quarta-feira, Junho 04, 2008

#35

Reabre o céu depois de uma chuvada
no azul do dia.
É o azul do nada
com que se fazem os deuses e a poesia.

Vergílio Ferreira, Uma Esplanada sobre o Mar

Sábado, Maio 31, 2008

#34

Heart of Darkness, Joseph Conrad

"The conquest of the earth, which mostly means the taking it away from those who have a different complexion or slightly flatter noses than ourselves, is not a pretty thing when you look into it too much."

"But his soul was mad. Being alone in the wilderness, it had looked within itself and, by heavens I tell you, it had gone mad."

"'The horror! The horror!"

Quinta-feira, Maio 29, 2008

#33


Hearts of Darkness

Perceber tudo o que está por trás de 1 filme como Apocalypse Now é avassalador. As dificuldades que tanto Coppola como os actores atravessaram assemelham-se às das personagens do filme (Martin Sheen chegou a correr risco de vida após um ataque de coração, Coppola perdeu muitos quilos durante a rodagem).


Eleanor Coppola filmou grande parte das cenas dos bastidores e disse que o clima e a selva tornaram a rodagem para Francis Ford Coppola num processo de análise do seu lado negro, isto acabou por influenciar a sua visão final do filme.

#32


Nosferatu

Vi este filme com banda sonora ao vivo (apesar de algo repetitiva, bastante eficaz) num café - cinema meio improvisado (Fábrica Braço de Prata). Depois de me habituar ao facto do filme ter bastantes paragens (DVD riscado provavelmente) e de estarem pessoas a jantar na mesa da frente concentrei-me então nas imagens, nas “cores” deste preto e branco mudo, nas sequências do vampiro, maravilhosamente montadas, numa luminosidade nocturna macabra, visível em toda a sequência do navio tendo como ponto alto o levantar do caixão.


O terror na cara de Hutter é o contraponto perfeito da face pálida e medonha de Orlok. As sombras da sequência final são além de incríveis, pioneiras e o nascer do sol que se segue é o desfecho ideal da história e da luz que percorre todo o filme.

#31

Últimos filmes vistos








The Band’s Visit

Filme de um realizador Israelita desconhecido. Simples, curto e engraçado. Bem melhor do que 90% dos filmes que estreiam nas nossas salas.








My Blueberry Nights

A câmara omnipresente que deambula entre o interior e o exterior, a luz, as cores, a simplicidade, tudo isto está presente neste filme de Kar Wai apesar de não ter lugar em Hong Kong. Porém, a continuidade não é a mesma, perde-se um pouco nas histórias que são inseridas a meio e que não são bem “cozidas” ao tecido principal, que nos volta a trazer do melhor cinema do Realizador chinês.








Un Chien Andalou

Muito difícil de caracterizar. O surrealismo presente na obra de Dali (co-argumentista) tem neste filme uma pequena amostra do seu equivalente no cinema. Buñuel consegue transportar o elemento do bizarro e do irracional para a frente da câmara enquanto manipula as imagens de forma superior. O plano das nuvens finas a passarem pela Lua é extraordinário tal como o resto dos 17 minutos do filme.

Sexta-feira, Maio 09, 2008

#30

Filmes vistos esta semana












Assault on Precinct 13 (1976) - John Carpenter

Um dos grandes filmes dos anos 70. Um cerco invulgar a uma esquadra de policia prestes a fechar onde se refugia um homem perseguido por um gang à procura de vingança pela morte de um dos seus membros. Com uma atmosfera negra e sombria, é cru e conciso mas ao mesmo tempo poderoso. A música acrescenta ainda outra dimensão ao cinema de Carpenter e neste filme, em particular, é sublime.

















Sicília! (1999) - Jean-Marie Straub e Danièlle Huillet

Um retrato da Sicília, do seu povo, das tradições da região, até da sua reputação, tudo através das conversas de um homem e do enquadramento belíssimo de Straub e Huillet. Um preto e branco de grande contraste que nos mostra a Sicília, que aumenta o impacto dos grandes planos e que enfatiza a alternância entre o silêncio e o discurso empolgado. Sendo o meu primeiro filme destes realizadores, fiquei com enorme vontade de conhecer o resto da sua cinematografia.
















A Woman under the Influence (1974) - John Cassavetes

Filme incrivelmente honesto e frontal, nada é romantizado ou estilizado. Uma mulher exausta da vida que leva torna-se cada vez mais diferente, aos olhos do marido e da família. As performances de Peter Falk e Gena Rowlands são impressionantes e juntamente com a câmara de Cassavetes causam por vezes um desconforto enorme, como se estivéssemos a invadir um universo muito próprio que nos causa estranheza e constrangimento. Um filme marcante.

Domingo, Maio 04, 2008

#29



Um filme de uma
transcendência incrível (para isso também contribui, e muito, a banda sonora de Morricone), logo na sequência inicial, na espera do comboio, dez minutos de uma combinação perfeita de grandes planos e de uma mescla de sons deliciosa.

Esta sequência é um prenúncio de todo o filme, não conhecemos as personagens pela palavra mas sim pelos planos e enquadramentos, pela música e pelos sons.

A contenção das palavras também se estende à expressão dos actores, nada de over-acting, uma grande contenção expressiva que funciona como uma suspensão da acção que impulsiona ainda mais o carácter transcendente do filme.
Por coincidência, enquanto escrevo isto, estou a ouvir o novo álbum de Dead Combo que tem uma música de nome Mr. Leone e para finalizar digo apenas: Leone é um Senhor! (ler com sotaque portuense).

Quinta-feira, Maio 01, 2008

#28










Terça-feira, Abril 29, 2008

#27











O Processo de Kafka e Welles ou
uma das melhores adaptações que já vi.

Quinta-feira, Abril 24, 2008

#26

Corrente de imagem,

de percepção,

desenvolvimento de partículas

de uma totalidade captada

ao sabor de um ideal imaginário.

Projecto de verdade

de uma posse intrínseca

de cada representante.

Relação intima

entre o pensamento

e a visão pessoal

da forma física

desse pensamento.

Sonho a concretizar

no inicio da próxima viagem

quando se finalizar

o ritual de iniciação necessário.

Quarta-feira, Abril 23, 2008

#25














Que grande filme.
A Infância é isto.

#24

O carro de brincar segue a estrada, decalcada pelo tempo, no tapete do quarto, o devido acompanhamento sonoro é produzido mediante a combinação velocidade / condições da pista / humor. Terminada a primeira volta procuram-se novos adversários, o derrubar de construções improvisadas não irá faltar mas só depois de vários acidentes em cadeia, sem feridos mas com estragos consideráveis na moral dos outros concorrentes.

#23

Alguns excertos vistos hoje em Filmologia (J.M. Grilo)



Terça-feira, Abril 22, 2008

#22


















Segunda-feira, Abril 21, 2008

#21


This boy... and this girl... were never properly introduced to the world we live in... To tell their story... They Live by Night.

Domingo, Abril 20, 2008

#20




"Tell me exactly what you saw and what you think it means."

#19


Cortar o cabelo nunca mais será o mesmo.

Sábado, Abril 19, 2008

#18

Recordo o serão antigo que sempre organizaste na pequena sala de chá. A liberdade visceral que era lavrada no soalho de madeira, agora velho, sem cor. Escondias a pele enrugada do teu braço esquerdo com uma gasta camisa de linho e caminhavas sobre as tuas mágoas com firmeza, mascarando, com mestria, qualquer desequilíbrio reprimido. Espantavas o pó com a tua grafonola secular propositadamente arrumada no armário cheio de cristais por estrear. Ao fim de metros e metros de conversas de ocasião, medias bem as palavras e sugerias o êxodo recolhendo ao mesmo tempo a porcelana do costume. Repetias as intenções de visitas eternamente esquecidas, num discurso polido que alteravas com facilidade conforme a insistência. Coravam-se os últimos adeus enquanto subias os degraus da entrada e te sentavas na cadeira de baloiço que mantinhas no alpendre à direita da porta. Finalmente, ofegante, abraçavas a ténue névoa e repousavas, entregavas-te ao frio do anoitecer até que a lua te viesse buscar ao fundo das tuas memórias e te encaminhasse para a cama. Deitada, por baixo dos lençóis de flanela e do cobertor de lã, contavas as estrelas na janela enquanto o breu da noite te adormecia o pensamento até um novo dia.

#17

A monotonia dos objectos que se acomodam no velho plano visual lembram outros estados semi-vegetativos em que me encontrei. Barba por fazer, longas dissertações durante um sono profundo e cansado, repouso esgotado de qualquer réstia de força mental. Começo sempre uma reabilitação mas parece que nunca cai a noite, sinto que são sempre duas da tarde, um calor de morte e qualquer coisa hipnótica na televisão.

#16

No limiar de um novo dia,
no ocaso de um velho outro,
fecham-se os olhos,
abrem-se os braços para o céu
e espera-se pelo futuro
quando ainda mal descobrimos
o que fazer com ele.
Com o constante desaparecer
destes limites intemporais,
cresce a alma e cresce o tempo,
deixando,
agora,
a espera de lado
enquanto se segue em frente
de sorriso nos lábios.

Sexta-feira, Abril 18, 2008

#15

Novo livro, sem imagens, dialecto indecifrável, capa sorridente, contracapa envergonhada, folhear com cuidado, ler atentamente, procurar respostas, imaginar perguntas, conclusão difícil.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

#14

Em mais um sintoma do aborrecimento que me percorre as veias – corrente sanguínea cada vez mais difícil de localizar – aprecio, com alguma hesitação, um folhetim de propaganda, uma esquecida aproximação cultural. A invasão panorâmica ocorre numa edição especial, fora do espaço tradicional do discurso publicitário. É prometido um novo capítulo, retiro imaginário virgem num prenúncio do caos. Um inovador domínio de personagens teóricas abandonando a convulsão do soletrado paradigma retornado. Paraíso anunciado.

#13

A voz,
silenciada há muito tempo,
volta-se a ouvir,
ainda difusa,
como nunca deixou de ser,
mas recuperada
para uma tentativa renovada
de contar a sua verdade.

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

#12

Enquanto olho de frente para as ultimas folhas de Outono que se passeiam com o mesmo esvoaçar inquietante do fumo do meu último cigarro, sinto o sabor metálico da estática citadina. Está entranhado. Continuo com os espasmos mecânicos do costume, já os sinto programados.

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

#11

Perdi-me, algures na România,
no appendix vulgar do latim primário
com variedades cronológicas, dialectais e sociais.
Como românico,
e porque o pesadelo a mim me pertencia,
vi-me rodeado de variadas actividades meta-linguísticas,
juízos implicitos e vertentes imprecisas,
mastiguei consequências e factores condicionantes,
“porque tem mesmo de ser”,
mas não sobrevivi ao substrato de outras comunidades linguísticas
que nada tinham de homogéneas.
Recolhi os meus restos e saí.